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Você contrataria em sua empresa alguém que no passado cometeu um crime?

Empresários afirmam que funcionários apenados demonstram comprometimento maior com o trabalho

18 de Junho
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No último mês, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, em pronunciamento durante a cerimônia de entrega do Selo Resgata a 198 empresas de 15 estados, pediu que os empresários contratem pessoas que cumprem pena ou que deixaram o sistema prisional. Ele afirmou que é algo muito importante para que os presos que buscam uma oportunidade possam se reinserir na sociedade por meio do trabalho e do estudo.

"Temos que acreditar na ressocialização do preso. Este é um objetivo importante. Nunca podemos perder a fé e a esperança de que as pessoas podem se redimir. E uma das melhores maneiras é dar uma oportunidade para estas pessoas”. A expectativa do ministério é ampliar este número para mil empresas em 2020 e atrair mais empresas privadas.

Em Pinhalzinho atualmente existem duas empresas que possuem unidades de produção dentro da Penitenciária de Chapecó, e cujos colaboradores são apenados. Uma delas é a Zagonel. A empresa emprega em média 300 funcionários de Pinhalzinho e desenvolve desde o projeto até a comercialização de torneiras, chuveiros e iluminação de LED. Há quatro anos o sócio proprietário Roberto Zagonel, em diálogo com um empresário  chapecoense que já mantinha uma célula de produção na Penitenciária, teve interesse de conhecer o sistema. Desde então a Zagonel emprega 40 apenados, e de acordo com empresário pinhalense, o trabalho social é a maior motivação para isso.

“Quando conheci o trabalho, fiquei encantado com interesse daquelas pessoas com a atividade que desenvolvem. Não nos cabe julgar a motivação dos erros que cometeram e que estão pagando, mas cabe a nós desenvolver esse trabalho de ressocialização. Presos desocupados tornam-se ‘pós -graduados’ para o crime. Já aqueles que trabalham mudam de postura. Além disso, o salário pago é uma renda que poderão usufruir ao deixarem a prisão e tem a oportunidade de ter uma profissão e especialmente a ressocialização. O preso que trabalha oito horas por dia, sente-se ocupado e motivado, e assim deixa de estar com atenção voltada a ociosidade. Enquanto empresários e cidadãos, temos também a necessidade de contribuir para a recuperação destes indivíduos”.

Zagonel ressalta que já há projeto de ampliação no número de colaboradores presos. “Estamos nos preparando para realizar novas contratações naquela unidade montadora, onde é feita a etapa final de produtos da linha popular”.

O contexto do ambiente de trabalho, conforme o empresário, obedece regras rígidas de ordem, segurança e boa conduta. “Além de um gestor capacitado e apto para aquele ambiente, há também a presença de agentes prisionais que mantém a ordem no local. Porém, os colaboradores apenados são extremamente dedicados e dificilmente cometem deslizes, pois caso o façam, perdem a vaga de emprego e são obrigados a voltar a sistema prisional convencional. Outro detalhe que chama atenção é o quanto eles são gratos pelo emprego e são unânimes em expressar isso cada vez que vou até a Unidade. É gratificante, pois mostra que nosso papel está sendo cumprido e estamos contribuindo para a recuperação deste público”.

O empresário enaltece que esta é uma possibilidade muito importante para as empresas que enquadram-se às regras do programa. “Existem muitos ramos produtivos que podem usufruir desta mão de obra e contribuir com a construção de uma sociedade melhor. Embora sejam pessoas que tenham cometido crimes, os apenados que estão disponíveis para este mercado de trabalho passam por um rigoroso processo de seleção e, portanto, não há riscos”.

De acordo com Alecssandro Zani, ddiretor da Penitenciária Agrícola de Chapecó e diretor da Regional Oeste, o trabalho do apenado na unidade prisional é um benefício concedido aos apenados que durante o cumprimento da pena mantém bom comportamento. “Proporcionando trabalho aos apenados, se observou que aqueles que até então não tinham bom comportamento nas unidades prisionais, passaram a mudar sua conduta para passar a ter o benefício do trabalho. Percebe-se que as unidades prisionais que possuem trabalho para o apenado, têm baixo índice de subversão à ordem e baixo índice de reincidência após o término da pena. O trabalho permite se criar um ambiente de disciplina e de formação de valores que passam a ser absorvidos pelos apenados, que veem no trabalho a oportunidade de deixar o ócio e aproveitar o tempo para se profissionalizar, bem como se redimir perante à sociedade pelos danos a ela causados”.

 Lançado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública no fim de 2017, o Selo Resgata é uma estratégia federal de estímulo às empresas públicas e privadas, bem como a órgãos públicos e empreendimentos de economia solidária, para que contratem pessoas privadas de liberdade que estejam cumprindo penas alternativas ou que já tenham deixado o sistema prisional.

A contratação dos presos é feita por meio de convênios que as empresas habilitadas a apoiar o trabalho de ressocialização assinam com os governos dos estados onde atuam. A certificação da habilitação é a obtenção do próprio Selo Resgata. Para obtê-lo, a empresa tem que contar com entre 1% e 3% de presos no total de mão de obra contratada, mediante o que, recebem algumas vantagens, como redução das despesas trabalhistas.

 

 

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